Finalmente chegou a hora de contar da minha viagem de junho. Resolvi eu mesmo entrar no clima do ano da França no Brasil e acompanhar um amigo francês na sua primeira visita à América do Sul. O roteiro de duas semanas começou por Belo Horizonte, a cidade onde passei minha adolescência e os anos universitários de idas e voltas diárias ao campus da UFMG, na Pampulha, e saídas esporádicas de fins de semana a tudo quanto é bar na capital dos botecos.
O complexo arquitetônico da Pampulha e o bairro de Sta Tereza foram o foco da visita, já que os conheço como a palma da minha mão. Para mim, esses locais são mais clássicos que as partidas entre Atlético e Cruzeiro, pois os dois representam o que há de mais belo na cidade do horizonte: a arquitetura modernista e os traços ora retos, ora curvos que se formam no trajeto entre um bar e outro do bairro mais tradicional da cidade. Fiz questão de mostrar também ao meu amigo visitante a razão do nome Belo Horizonte. A melhor carta na manga para provar isso é o bar Sky, localizado na torre AltaVila.

A prova do horizonte a 101 metros de altura
É uma pena que o local não seja aproveitado pelos próprios moradores, que perdem a chance de fazer um programa diferente e de poder desfrutar de uma vista espetacular, apaixonante, com hora certa para descer dali com as melhores fotografias.

Cliques entre às cinco da tarde e às sete da noite
No dia seguinte saímos de BH para seguir pelo túnel do tempo que nos levou de volta a Ouro Preto, onde vivi toda minha infância. O bacana é que o acompanhante faz jus à sua condição e também volta ao passado para a época do Ciclo do Ouro no Brasil. Mas antes de chegar lá, fica aqui a dica. Se o turista que te acompanha não conhece ou não tem tempo de visitar o Brasil inteiro, uma saída para essa solução é levá-lo ao Museu das Reduções, no distrito de Amarantina. Fica no meio do caminho entre a capital e a cidade histórica e vale cada minuto. As réplicas dos edifícios históricos e modernos de vários estados brasileiros foram construídas no maior capricho e são bem fiéis aos modelos originais.
Quem é jornalista, mineiro, ex-morador da cidade ou tudo isso junto, não tem como não se sentir uma enciclopédia ambulante (às vezes falante demais) que sobe e desce ladeiras, explicando o que foi a Inconfidência Mineira e quem foi Tiradentes para o visitante estrangeiro. É tanta informação que depois de ter explicado o que são as namoradeiras – esculturas de mulheres debruçadas nas janelas – não me assustei ao ouvir um “Ernesto, espera aí que eu vou tirar uma foto das miradentes…”

Cedric, Ernesto e cenas do próximo post...